Faço as caminhadas com sol ou com céu nublado sem perigo de chuva.
Começo por percorrer os caminhos primitivos e esquecidos pela Junta de Freguesia, passando pelo túnel do grafiti onde poderei ou não avistar o tarado que baixa as calças para mostrar as suas propriedades. Com sorte, passam umas quantas irmãs do colégio ali perto e alguns pais com crianças pelas mãos.
Passo por baixo do viaduto e logo ali sei se morreu alguém, mediante as pessoas de escuro que se juntam em frente à igreja.
Sigo sempre ao longo da linha do comboio e aí, apercebo-me se vou ter ou não calor na subida. Se o sol queimar na cara, é sinal que não vou aguentar o casaco. Se tremer de frio, está certo que ainda vou ter mais frio pelo caminho.
Passando os correios, entro na parte melhor da caminhada, apesar de ser uma subida mais acentuada. É a rua das moradias e do silêncio. É raro encontrar silêncio no meio da cidade mas ali ouvem-se os pássaros a cantar, as folhas a esvoaçar no chão, os passos de alguém lá longe. Admiro os jardins tratados e as garagens arrumadas. Desvio-me de uma casa abandonada que se desfaz com o tempo.
Passo a escola relembrando o meu passado e paro para mirar os 5 ou 6 cães que dormem ao sol no jardim de uma moradia. Que inveja.
Cumprimento ex vizinhos e sei logo quem está desempregado ou casado. Com sorte, na subida, apanho boleia. Mas mais sorte ainda é não apanhar. Sabe tão bem apanhar ar e caminhar.
Chego então ao local de trabalho, 20 minutos depois. Mais calma, mais relaxada e pronta para passar uma tarde sentada.
São estes os 20 minutos mais preciosos de cada um dos meus dias.
2 comentários:
Ai é! Pois agora posso passar por ti 500 vezes que faço de conta que não te conheço. Faça sol, chuva, temporal, violadores, é sempre andar.
Anda a pé que te faz muito bem, no meu carrinho já não pões mais o cuzinho.
P.S. Tambem se acabaram as nossas sessões de psicologia.
Quem te manda a ti ser esperta?
Que mazinha...uma pessoa é presa por ser honesta e por não ser...vá-se lá entender as pessoas!!
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