Só ontem é que vi este programa e por isso, ouvi atentamente o que cada um dos defensores argumentou em relação a cada um dos 10 eleitos, tendo chegado a uma conclusão.
Este programa foi mais uma forma de dar tacho a muita gente e foi, tão simples quanto isto, uma perda de tempo.
Isto de escolher o melhor português tem tanto de ridículo como de insultuoso. Porque raio tem que haver um melhor? Porque não podem ser todos? Ou até nenhum?
Temos uma necessidade incrível de escolher, de atribuir prémios, de levar tudo e mais alguma coisa a concurso.
É um pouco como os imensos concursos de cantores que foram surgindo durante anos e agora vemo-los a serem entrevistados e a lamentarem-se de ninguém lhes ter reconhecido o talento.
Mas será que ninguém tem a visão de perceber que o nosso país não tem capacidade para elevar ao estrelato tanto artista?
O que vale é que agora decidiram virar-se para a dança, o que sempre ajuda a descontrair o panorama da cantoria...
E se já não bastasse ouvir alguns dos defensores dos 10 grandes debaterem-se como se fosse um debate político (tal como aconteceu com a temática do aborto), assisto a um resultado, no mínimo, inédito. O vencedor foi o Salazar.
A minha revolta atingiu o momento máximo no momento em que vejo a figura deste senhor por cima do pedestal do 1.º lugar.
Uns começaram logo a dizer que não passava de um concurso e que, por isso, não podiam levar tão a sério este resultado. Outros acharam que este resultado expressava a revolta dos portugueses para com o actual governo e a actual situação do país. E até se viu a Odete Santos a levantar a camisola (a ponto de se ver o soutien) para tirar o microfone, berrando "isto é anti constitucional porque é uma janela aberta para o fascismo".
Mas então se este programa é um concurso, não sabem os defensores, as regras do concurso?
Se o resultado não é viável por ter ganho o Salazar, então porque submeterem a votação ao público?
Se a RTP definiu uma grelha que avaliava cada um dos melhores quanto a mérito, coragem, génio, entre outros, porque motivo precisou da opinião pública, se esses não avaliam as pessoas segundo nenhum critério a não ser o sentimental?
Se já se previa que o resultado podia ser um fiasco, porque se perde tempo a fazer programas destes? Porque não contar a história de cada um deles de uma forma divertida? Se acham que a educação está tão má, porque não investir na educação televisiva em vez de criar concursos ridículos como este?
E o resultado? É lamentável que se use um ditador para criticar a sociedade actual, onde a liberdade de expressão até chega a ser excessiva. Quebram-se os segredos de justiça. Passam na televisão mil e uma imagens escandalosas, qualquer pessoa escreve um livro ou comenta algo na televisão. Fazem-se greves a torto e a direito. Todos se manifestam, seja nas grandes cidades ou nas aldeias. Vêm-se bons carros à porta de famílias ditas pobres. Vêm-se correntes de ouro em pessoas que moram nos bairros da lata...
Se somos pobres, meus amigos, só o somos de espírito. Agora, não ousem dizer que vivemos pior do que nos tempos de ditadura. A liberdade existe, e nós não estamos a saber usá-la em nosso proveito, o que é lamentável. A União Europeia (que muitos criticam igualmente) tem-nos concedido oportunidades como ninguém e nós, incrivelmente, não temos aproveitado isso.
Má gestão? Talvez. Eu acho que é tudo uma questão de mentalidade. Enquanto não deixarmos de ter mentes retrógadas que preferem passar horas a ver reality shows, a ler Marias e a pensar nos problemas do país enquanto nos rimos com o Gato Fedorento, não vamos a lado nenhum.
Haja paciência!!
8 comentários:
Perdoem-me pelo tamanho XL do artigo mas se não escrevesse tudo isto, não me iria sentir nada bem...
Bem depois disto o que posso dizer!
Concordo pleanamente. Bem não plenamente, tenho uma duvidazita, QUAL O TEU PROBLEMA COM AS MARIAS????? Olha que se aprende muita coisa!
Se calhar, o que se aprende com a revista Maria, poderá ser mais um tema para um artigo meu...quem sabe :)
Antes de mais quero dizer que não votei em ninguém e para mim era igual ao "decímetro cúbico" ser um ou outro a ganhar.
Depois de ler duas vezes não percebi muito bem se se criticava a RTP, os comentadores, o programa, os resultados, ou a sociedade, enfim, pareceu-me que foi de tudo um pouco.
Não concordo com muito do que foi escrito e só me resta dizer que na ditadura não eram permitidos movimentos democráticos, porque estávamos em ditadura. Mas em democracia temos que aceitar todos os movimentos, mesmo que sejam Fascistas, senão a democracia então está muito doente.
Para responder aos documentários divertidos, informo que todos eles tiveram um programa dedicado com um documentário elaborado pelo defensor, e alguns até foram bem divertidos.
O miguita, o faz favor, mas o que é isto humhummmmm.
Atão e termodinâmica humumummmm
AiAi
Luís, critiquei tudo...aproveitei e juntei tudo no mesmo saco :) Precisamente por estarmos numa democracia é que posso escrever o que escrevi e tomar uma posição tão convicta sobre esse assunto. E é claro que, em democracia, tens o direito de discordar de mim, coisa que não aconteceria no tempo do Salazar.
Sandra, pois...termodinâmica...nem me fales...(suspiro, suspiro...)
O resultado deste concurso é um capricho da Democracia. Só em Democracia se poderia ter um resultado destes. Confesso que a mim este resultado não me preocupa nada e até me rio com as conclusões que alguns têm tirado dele.
Para mim até é saudável que o Salazar tenha ganho, e passo a explicar.
Acho que este resultado é um sinal de maturidade da nossa democracia. Quer dizer que já ultrapassamos aqueles complexos que tínhamos em que qualquer coisa poderia ser um retrocesso para a ditadura. Eu acredito que se este concurso se tivesse efectuado depois do 25 de Abril o Salazar teria os mesmo votos que teve agora ou ainda mais. O que aconteceria é que “O Povo” se iria revoltar com essa possibilidade e iria votar em massa nos outros candidatos. Acredito que com a segurança que já temos no nosso regime democrático, já não necessitamos de provar nada e deixar o Salazar ganhar este concurso até pode ser uma bofetada de luva branca num regime que nunca permitiria tal concurso.
O resultado deste concurso é um capricho da Democracia. Só em Democracia se poderia ter um resultado destes. Confesso que a mim este resultado não me preocupa nada e até me rio com as conclusões que alguns têm tirado dele.
Para mim até é saudável que o Salazar tenha ganho, e passo a explicar.
Acho que este resultado é um sinal de maturidade da nossa democracia. Quer dizer que já ultrapassamos aqueles complexos que tínhamos em que qualquer coisa poderia ser um retrocesso para a ditadura. Eu acredito que se este concurso se tivesse efectuado depois do 25 de Abril o Salazar teria os mesmo votos que teve agora ou ainda mais. O que aconteceria é que “O Povo” se iria revoltar com essa possibilidade e iria votar em massa nos outros candidatos. Acredito que com a segurança que já temos no nosso regime democrático, já não necessitamos de provar nada e deixar o Salazar ganhar este concurso até pode ser uma bofetada de luva branca num regime que nunca permitiria tal concurso.
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