Na rotina diária da visualização da série "Anatomia de Grey", não pude deixar de soltar uma lagrimita quando se falou na solidão, especialmente, na solidão de uma presidiária que engolia lâminas na tentativa de sair da solitária para o hospital, onde era melhor tratada e estava acompanhada.
Mas é engraçado que podemos estar rodeados de pessoas e temos a sensação que estamos vazios e que nada nem ninguém nos preenche. Sentimo-nos sós.
O que é isto da solidão no meio da multidão?
Porque sentimos este sentimento?
Deriva de quê?
4 comentários:
Porque não cultivamos as amizades e as relações familiares; não partilhamos as emoções, as dores, as alegrias dos outros e com os outros; vivemos demasiado ocupados connosco mesmos. E chega um dia em queremos chorar ou rir com alguém e descobrimos que estamos isolados na nossa concha, rodeados de pessoas "próximas" mas com as quais não temos laços afectivos, porque estes implicam tempo e dedicação para serem criados e mantidos, e hoje em dia ninguém tem tempo para nada...
Eu acredito que só existe um remédio para a solidão. O amor.
Ao longo dos tempos tantos têm tentado definir o amor, esta talvez seja umma das formas. O amor é capaz de nos fazer sentir cheios, mesmo quando sós, confortados mesmo quando isolados, leves mesmo na ansiedade.
A solidão quando associada ao estar só não é só coisas negativas. Para além das coisas negativas como o isolamento, a marginalização, o egoísmo, a arrogância, etc.. há também os aspectos positivos.
Estar só, pode ser um estado de espírito. Quantos de nós já não tivemos necessidade de estar sós em momentos de introspecção? Quantos de nós gostam de estar sós dentro do carro ao fim da tarde a ver o por do sol e a ouvir aquela musica que nos toca bem no fundo ou um programa de rádio de que gostamos?
Por exemplo: eu gosto de ouvir dentro do carro junto à praia à sexta feira à tarde, das 19:10 às 20:00 o programa da antena 1 “Contraditório”.
Normalmente é sozinhos, ou com os nosso botões, que tomamos muitas das decisões mais importantes das nossas vidas, aquelas decisões em que podemos pedir conselhos mas que ninguém pode tomar por nós.
Andar sozinho, se formos a ver, até é a situação normal no nosso dia a dia. Saímos de casa, vamos para o trabalho ou para a escola, na hora de almoço vamos almoçar muitas vezes sozinhos, ao fim da tarde voltamos para casa sozinhos. Pois é, é mesmo assim andamos muitas vezes sozinhos, comecem a reparar nos carros que vão ao vosso lado nas filas. Quantas pessoas levam?
Estar só pode até ser sinal de amor e de paixão no ar, e isto já não é nenhuma novidade, já no Século XVI alguém pensava assim: “...É solitário andar por entre a gente...” (Luís de Camões)
Antes de mais, tenho que aplaudir as vossas participações e comentários. Penso que se retira muita coisa de cada comentário...às vezes estamos sós porque queremos e precisamos, outras vezes, porque não nos esforçamos por criar laços com as pessoas...às vezes, no curso de yoga, sinto-me só...naquela escola estão cerca de 30 pessoas e eu não falo com nenhuma. Inicialmente, até gostava de estar no meu canto a tentar encaixar com tudo aquilo...agora, sinto necessidade de falar com alguém quando é dito algo que não concordo ou que sou totalmente a favor...mas como não fiz nenhum esforço para me aproximar das pessoas, está a ser complicado agora consegui-lo. De qualquer das formas, isto é um exemplo que muitas vezes sentimo-nos sós porque não nos esforçamos para mudar essa sensação.
E concordo com o Luís...quantas vezes, falo para mim tentanto chegar a uma decisão e a um consenso...mais ninguém entenderia, mais ninguém aceitaria...só eu. E o amor enche-nos, Nuno, sem dúvida...mas mesmo tendo amor, muitas vezes, a solidão existe porque não é só dizer que se ama, que se gosta...também é necessário estar presente, de todas as formas possíveis...
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