Já é sabido e mais que sabido que, tudo o que entra numa obra que não seja para trabalhar, é engenheiro.
É vê-los a andar de um lado para o outro de capacete, olhando para o chão, para o ar ou para o "patego", como muitos dizem.
Como se já não bastasse, começaram a aparecer os engenheiros da segurança, os da qualidade e os do ambiente.
Não interessa a área ou a qualificação. Tem capacete? É engenheiro! Está a olhar para o "patego"? É engenheiro!
E os homens, que toda a gente chama de trolhas, vêm-nos passar, sem saber muito bem o que eles andam a fazer, dizendo frases do género "ó senhor engenheiro, eu já tenho 20 anos disto! Não me venha ensinar o que já sei!"...
As obras são assim mesmo. Dois ou três engenheiros (verdadeiros), um que pensa que é engenheiro mas não é, e os que realmente trabalham.
Pronto, não vou ser tão radical como tenho sido com os outros assuntos! Os engenheiros são necessários, até porque eles conseguem ver coisas que os trabalhadores não vêm. No fundo, um engenheiro vê um todo, enquanto que um trabalhador vê uma parte.
E essa frase típica dos trabalhadores das obras, a tal de terem muitos anos de experiência é, quantas e quantas vezes, um entrave para a evolução e para a garantia de condições mínimas de segurança.
E, de facto, em anos e anos de construção civil, há coisas que nunca mudam. É só entrar numa obra e ouvir alguém chamar "ó senhora engenheira!", quando eu sou Sónia.
2 comentários:
Hello it is I. Ó senhora engenheira, há trolhas e trolhas e engenheiros e engenheiros..... e fico por aqui!
Este assunto vai muito para lá das obras. Centra-se na questão dos títulos que em Portugal são tão importantes. Resultado de uma educação que durante muitos anos foi só para alguns. Todas as pessoas com alguma formação tinham de ter um título. Por isso ou eram Eng. ou Dr.
Estou convencido que esta prática vai diminuir com o tempo porque todos passam a ser ou Eng. ou Dr. O que se começa a ver é as pessoas com formação superior a combinar entre elas tratar simplesmente pelo nome.
No entanto, é muito mais difícil para quem não se sente ao “mesmo nível” fazer o mesmo.
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