"De andar trôpego
e olhar vazio,
caminhava pela rua
à procura de um destino.
Ninguém olhava para mim.
Ninguém se apercebia que,
apesar de não falar,
precisava de ajuda.
Seria preciso gritar?
Seria preciso esvair-me em sangue
para que me olhassem?
Sem saber a resposta,
continuei o meu caminho,
que não era realmente meu
e muito menos de alguém.
Continuei, mesmo assim,
até chegar a um lugar sossegado,
onde me deixei fechar os olhos.
E já noutro lugar,
quem sabe, um sonho,
julguei ver alguém vir ao meu encontro.
Incrivelmente, não me custava correr.
Incrivelmente, não me custava sorrir.
Abri os meus braços
e recebi esse abraço de alguém,
que não sei muito bem quem era,
e deixei-me estar.
Era tão bom ter esse conforto,
esse abrigo quente,
esse lar."
A todos os animais abandonados, aos que são maltratados e aos milhares que morrem anualmente, por, simplesmente, serem ignorados.
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