Lembro-me daqueles filmes a preto e branco, que retratavam a crise económica americana, onde centenas de pessoas esperavam horas a fio numa fila para arranjar trabalho ou um pouco de pão.
Hoje em dia, os desempregados não têm que esperar em filas nem sujeitar-se às intempéries. Entram nos centros de emprego, tiram uma ficha com um número e aguardam sentados, numa sala com ar condicionado e até água gratuita.
Poderia pensar-se que os tempos melhoraram…sem dúvida…mas não será tudo isto um simples “tapar o sol com a peneira”?
Para começar, qual a função do centro de emprego? Após a inscrição de um desempregado e após este ter dito o que fez ou deixou de fazer e para que áreas tem competências, o que faz o centro de emprego? Entrega uma capa intitulada “procura activa de trabalho” e aconselha o desempregado a responder, pelo menos, a 4 anúncios de emprego por mês. Depois obriga-o a ir, de 15 em 15 dias, à junta de freguesia, para dizer “Estou vivo! Até daqui a 15 dias!”. E pronto. É mais um número que entra na estatística e o desempregado, por si só, tem que arranjar trabalho.
Mas então se é só isto que o centro de emprego faz, o que fazem todas aquelas pessoas por lá? Centro de emprego não deveria ser sinónimo de centro de desemprego mas acho que esta última se aplica mais ao que acontece na maioria dos centros.
É que nem sequer dão uma lista com sites de emprego, nem sequer perguntam se o desempregado quer frequentar alguma acção de formação, nada!
E é só com o tempo, e com as experiências partilhadas por outros, que se descobrem sites de emprego interessantes, cursos que podem dar jeito, entre outros.
E isto até nem seria mau de todo se tudo isto não implicasse custos. Se uma pessoa se quer especializar numa área mais procurada, paga. Se quer aprender uma nova língua, paga. Se quer aderir às novas tecnologias para estar a par do resto do mundo, paga. E somando tudo isto, no final do mês, o subsídio de desemprego torna-se minúsculo.
E é curioso que ainda há quem se esforce por encontrar trabalho e fazer uma série de investimentos a nível pessoal para melhorar o currículo mas isso não é relevante para o Centro de Emprego. O que é relevante, sim, é a presença na Junta de Freguesia para dizer que se está vivo!
Acho que o lema do Centro de Emprego deveria passar a ser “Desempregado, mas vivo!”.
2 comentários:
Tens toda a razão.
Obrigado.
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