Quando me dedico à leitura das revistas jornalísticas, encontro sempre uns quantos artigos dignos de uma paragem para leitura atenta e concentrada. Foi o caso dos artigos "O que é preciso para se ser feliz" (ou melhor, para uma mulher ser feliz) e "Aborto e os suspeitos do costume".
Em relação ao primeiro, não posso deixar de transcrever este excerto fantástico escrito por uma feminista canadiana, Charlotte Whitton: "A mulher tem de o fazer duas vezes melhor do que um homem, para que se lhe dê igual valor. Ainda bem que não é difícil!".
Em relação ao segundo, transcrevo, de igual forma, uma parte de um artigo de uma página, escrito pela Clara Ferreira Alves: "Despenalizar o aborto não significa torná-lo vulgar e acessível, ou valorizá-lo como acto de suprema liberdade da mulher. Despenalizar o aborto significa apenas retirar o tema das trevas e do dogma religioso e devolvê-lo à arena dos direitos, liberdades e garantias, estabelecendo que a lei é igual para todos e que não existe uma para quem tem dinheiro e outra para quem não tem.".
Não pretendo, ao transcrever estes dois artigos, tomar parte do feminismo e muito menos da despenalização do aborto...apenas queria partilhá-los para que pudessem reflectir...uma espécie de "deitar achas para a fogueira!" :)
2 comentários:
Depois de ler este artigo apetece-me a falar um bocadinho sobre os movimentos Feministas e a lei da despenalização do aborto entre outros intervenientes neste assunto.
A lei que vai ser referendada no próximo dia 11 de Fevereiro deve ser explicada com clareza aos eleitores para não haver surpresas para aqueles que acham que o sim ganha com grande margem. Assim cada um deve ter o seu papel:
Igreja – Defensora dos valores morais deve ser contra a lei de despenalização do aborto. A Igreja é a defensora da vida acima de tudo e só pode ter esta atitude quer a gente goste ou não goste. Moralmente é inadmissível existir uma lei que possibilite a morte de um ser vivo. Não devem é bipolarizar este assunto como sendo um sim ou um não ao aborto.
Legisladores/Políticos e Sociedade – Regem-se por valores éticos. Devem ser os esclarecedores dos eleitores. Devem explicar que o que está em causa com esta lei não é ser contra ou a favor do aborto, mas sim ser contra ou a favor de uma lei que possibilite, àqueles que são a favor, a sua prática em estabelecimento de saúde devidamente autorizado e até às 10 semanas. Os que são contra o aborto, não devem ser castradores das liberdades dos outros, isto é, a existência de uma lei que despenalize o aborto não obriga aqueles que são contra à sua prática. Os que são contra continuaram contra mesmo que esta lei exista.
Movimentos feministas – Devem ser moderados na defesa da lei de despenalização do aborto, porque se não o forem levam a que se ande a discutir o sim ou o não ao aborto, desvirtuando o espírito da lei. Sloganes como os do primeiro referendo, “Aqui mando eu”, só vêm dar aso a que os fanáticos religiosos façam campanha contra o aborto e como os portugueses são maioritariamente católicos o não volta a ganhar.
Resumindo e misturando tudo:
A igreja moralmente deve defender a vida e ser contra o aborto, enquanto que a sociedade em geral éticamente não pode limitar a liberdade dos que são a favor, nem é obrigada a ouvir as palavras de ordem de movimentos pró e contra extremistas.
A minha opinião:
Eu genericamente sou contra o aborto e em particular acho que a lei actual é suficiente, mas vou votar sim porque não posso impedir que aqueles que são a favor o façam com as devidas condições.
Quando digo “em particular” estou a reservar-me o direito de numa situação em que eu eventualmente esteja envolvido posa avaliar se a mulher deve ou não abortar, tendo em conta o tipo de má formação do feto ,ou as circunstâncias em que ocorreu a gravidez, violação, ou se está a trazer perturbações psíquicas para a mulher.
Refiro-me ao “tipo de má formação” porque acho que mesmo com certas más formações os fetos têm o direito de viver porque podem ter uma vida fora do ventre da mãe perfeitamente possível. Para mim o aborto nestes casos, até à data, porque as opiniões vão mudando, só deve ser considerado caso o bebé venha a ter uma vida apenas vegetativa.
Mais esclarecida não podia ter ficado. Pudessem todos os portugueses ler o teu comentário. Obrigado pela tua participação, Luís.
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