sexta-feira, agosto 11, 2006

S. Lourenço

Ora o S. Lourenço, quando viveu a sua vidinha num qualquer século de repressão religiosa, mal sabia que a comemoração da sua existência ia passar por ser numa rua com roulotes de farturas e carrinhos de choque.
Um contra senso das celebrações religiosas é a comemoração das mesmas com ícones completamente pagãos. Música nas alturas, barrigas e peitos à mostra, doçaria com fartura e, claro, contrabando de dvds e estátuas de dentes de animais nas ruas.
Acho incrível como o papa proibe longas horas passadas na internet e a ver televisão, quando nas ruas das vilas e cidades se dá azo à profanação dos tais ideais religiosos.
Qual o sentido de se comer farturas, assistir a concertos e comprar uns chinelos nos marroquinos para se comemorar um santo? É esse conjunto de actividades que o congratulam pelo possível bem que fez?
Acho incrível como, ao longo dos anos, fomos acrescentando coisas e mais coisas às celebrações como forma de nos motivar a assistir às mesmas...
Eu, por exemplo, motivo-me com o S. Lourenço, por causa da oportunidade de comer churros e jogar matraquilhos...e se o mais importante da festa religiosa é a comida e os jogos, então há aqui algo de errado com a forma como a igreja tenta chegar aos seus fiéis...ou estarei ofuscada pelas luzes dos carrinhos de choque??

1 comentário:

Anónimo disse...

Mas será que alguém se lembra que está a comemorar uma festa religiosa? Não sei como, nem quando se iniciou estes festejos populares, mas a minha previsão é que de certa forma sempre existiram, ajustados é ao seu tempo. Sem carrinhos e churros mas com outras coisas possíveis a cada época.